domingo, 17 de abril de 2011

O Bicho

O BICHO

Vi ontem um bicho

Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
Manuel Bandeira

Estava lendo umas poesias de Manuel Bandeira (meu poeta preferido) e vi essa. Tenho uma cena que não sai da minha cabeça de um fato que aconteceu a uns bons anos.Estava em São Paulo a passeio num domingo de manhã, meio perdida tentando encontrar o Museu Paulista (Museu do Ipiranga) e vi como na poesia acima um homem abrindo um saco de lixo e pegando os restos de comida para alimentar-se. Na minha concepção de vida humana foi a cena mais deprimente e deplorável que presenciei até hoje. Não sei se deveria me espantar ou deprimir tanto com aquela cena, afinal é um fato comum e corriqueiro, gente vivendo do lixo, do nosso lixo, do que não nos serve mais. Mas para mim, na minha visão de vida prefiro as palavras da música de Caetano Veloso "Gente nasceu para brilhar, não para morrer de fome".

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